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Editorial

QUANDO A AMBIÇÃO HUMANA SUPERA O PRÓPRIO HOMEM

De tempos para cá, começou-se a questionar a viabilidade de certas iniciativas, mesmo que estas tivessem relação direta com a preservação da vida e do homem. O que se vê por parte daqueles que refletem sobre o assunto é a conclusão de que só se implementa certas ações se as mesmas retornarem no formato de dividendos aos que já detêm a riqueza do mundo. Saibam esses homens que vez em quando ainda se levantam do ventre adormecido da natureza aqueles que contestam tudo isso e praticamente dedicam suas vidas para contradizer essa maldita ordem estabelecida por alguém em algum lugar em algum momento, inclusive em Oliveira dos Brejinhos. Não se sabe realmente quem o fez, quem plantou este mal que assolou a humanidade e hoje a leva para o caos. Destruir em nome do progresso de um só, o próprio ser humano. O progresso que quer justificar epidemias, desequilíbrio ambiental, extinção de espécies, grandes desmatamentos, corrupção, genocídios, enfim, destruição de parte da espécie humana. Pessoas surgem de tempos em tempos e vão às escolas, debatem melhorias, escrevem livros, pintam quadros, fotografam, protestam, sobem serras a pé ou bicicleta, fundam instituições... Pessoas que optam pela voz do coração, que ecoa aos surdos querendo dizer que as nascentes estão acabando, que o tempo está esquentando, que o mundo está morrendo, e não é ouvido nem levado a sério, mesmo quando sentimos sob os nossos pés e sobre nossas cabeças e almas as altas temperaturas, mesmo quando vemos líderes mundiais dizimando nações inteiras de gente e de outros bichos. Líderes que fazem do povo apenas peças de uma imensa engranagem, isenta de qualquer sentimento ou consideração, apenas peças, que consigam manter seus privilégios, suas conquistas, suas investidas, suas ambições. E os homens de bem sentem suas vidas e veias se apertarem a ponto deixarem de viver. Mas, não deixarão de viver suas idéias, seu sangue numa planta cujo espinho roubou algumas gotas, nos momentos em que recorremos aos mesmos para solicitar informações que jamais vamos usar ou respeitar ou considerar, pois, se considerar fôssemos, não trataríamos a vida como um fosso, mas como algo que pode parar uma cidade, um município, uma região... Que pode parar as religiões, as confusões, as poesias... a ambição, a educação, os corações; que pode estancar o sangue movido a ódio e chorar, chorar e humanizar os bichos, as mudas, os mudos e o mundo. Pena que nem sempre conseguem ir tão fundo, ao fundo das almas e dizê-las para valorizar a vida, as famílias de gente e de outros bichos... É pena que as palavras nem sempre consigam romper a barreira imposta pela ambição, pela burrice, pela ignorância. Mas, quem sabe um dia, outra criança não seja a semente para outra gente, recente e reticente e rica de amor e de ternura, candura verdadeira, não de besteira materialista, mas humanista e respeitadora. Quem sabe se ela não vai conseguir dizer em tempo que o universo depende do equilíbrio, quem sabe, de uma pena. Dá pena ver penas sumindo nos corpos das aves, ver apenas pegadas e não encontrar mais os bichos, ver bochichos mas não ver atitudes, ver críticas mas não ver ações.  O que são ou somos? Homens que a tudo nomearam somente para dizer: eu matei um bicho, uns bichos ou um homem? eu matei o mundo, os fundos e o vento? eu matei o chão e o vão dos corpos? eu matei o pão, mas não a fome das almas? Por que não eu criei o sonho, o som e a música; um quadro, um lado, a musa... o namoro, o choro de alegria, a altura... o mel, o céu e as flores... os odores, o perfume e a solidariedade?


carlon2  Então, que se calem essas vozes malignas, que educam com palavras ou educam os corpos, mas desprezam as almas, onde reside o sentimento e o melhor momento. Que se calem esses corpos que carregam essas línguas. Se não conseguem respeitar os homens que a natureza bela e serena levantou, pelo menos se dêem ao luxo de ficarem calados e escondidos, no anonimato. Pelo menos nos permitam ser livres dos seus tentáculos que a tudo tenta alcançar, mas para matar e para usufruir desses humildes corpos que apenas querem fazer prevalecer a vida. Ao menos se recolham às suas cavernas eternas e a sua selvageria. Mas, um dia, o bem prevalecerá, mesmo que reduzido ao tamanho de uma formiga, mas, vocês, cidadãos hoje ditos do bem, e que puxam para si todos os bens, e esvaziam os bolsos da população, suas mesas, suas mentes, suas almas, e por que não, suas barrigas, vocês, homens sabidos de tudo, de tudo que seja para o seu próprio bem, vocês não estarão lá.

* Texto de Carlos Dourado, por Carlon Castro Cruz e todos aqueles que compartilham suas idéias e sua vida. Uma síntese das últimas discussões que tivemos e que representa boa parte das idéias desse grande companheiro.

Comentários   

0 #3 RUY ORMONDE 21-11-2014 19:29
Doutor
Mudei de idéia
Não quero revolução
Vou rasgar o meu protesto
Desde já eu já detesto
Quem me faça um manifesto
Coisas da oposição
Doutor
Mudei de idéia
Pois herói so na história
Vitória so memoria
O mártir nunca viu glória
Mas viveu de ilusão
E se acaso um dia
Eu pra casa não levar nada
Direi que a fome é piada
Que não me falta um tostão
E se acaso um dia
Eu na rua for corrompido
Coisa banal, eu não ligo
E viva a corrupção
E viva,viva viva a corrupção

Em algun lugar das minhas gavetas eu devo ter guardado fraquimentos de idéias que talvez nunca seram ditas.
O nosso grande amigo Carlon, não engavetava nada,e o que ele dizia ficou como uma pedra no sapato.
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0 #2 C. Dourado 02-11-2014 13:22
Joel,
Nossas desculpas pela demora em publicar seu post. Estamos reorganizando a página e alguns recursos estão sendo ajustados. Obrigado pela participação. Aqui tem espaço para nossos gritos. Fique à vontade e que o eco incomode os ouvidos e corações daqueles que relutam em admitir a realidade.
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+1 #1 Joel Peixoto 29-08-2014 14:28
Quantas vezes tive a vontade de gritar para o mundo e deixar que minhas palavras ressoem nos quatro cantos que a nossa vida, nosso mundo é o que fazemos, o que plantamos, o que desejamos. Mas, que muitas pessoas se poem na sociedade simplesmente para não deixar que esses ecos cheguem ao seu destino e aos ouvidos certos.
Parabéns Carlos Dourado pela mensagem profunda e gritante... Estou contigo e compartilho dessa ideia.
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