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MAIS UM POST

(Texto postado num fórum de um curso sobre Novas Tecnologias Educacionais)

Procuro desenvolver minhas atividades pedagógicas centrado na realidade da escola como um todo, pelo fato de já ter sido tratado como o diferente. Logicamente que a própria escola é contraditória ao adotar um material didático totalmente fora da realidade do aluno, a exemplo dos livros de Língua Estrangeira, nos quais vivo buscando ao menos uma linha para usar junto às classes, que não possui, em sua maioria, qualquer base em estudo de idiomas. O dilema que hoje vive o professor quando diz numa reunião, por exemplo, que só conseguiu trabalhar um assunto dos 800 previstos para aquela unidade, é muito profundo. O choque na comunidade escolar é mortal, embora se saiba que, para que o assunto seja explorado em todas as suas particularidades, realmente seria um por ano, diante da situação em que nosso estudante chega ao ensino médio, região da educação onde atuo.

    Os canais utilizados dentro da sala de aula são as tradicionais conversas, alguns amigáveis xingamentos, com discreta brutalidade, algumas vezes. As relações são o reflexo do dia a dia desses indivíduos. De um lado, um sendo consumido pelo estresse de ver dias de trabalho sem resultados palpáveis, como o caso do professor; de outro, esses buscadores de aventuras, que são os estudantes de hoje. Na última semana, um chegou a nos perguntar: Caso o aluno não simpatize com nenhum professor que dê aula para ele, esses professores não deveriam ser dispensados? Esse é um exemplo clássico da relação entre aluno-professor hoje em dia. Você faz uma chamada, o aluno responde com um "miau"; o outro, com um latido; outro com um "não está me vendo aqui?" De qualquer forma, é bacana essa "relação animosa", é massa, como eles costumam dizer.

    A escola normalmente costuma socializar os trabalhos realizados pelos grupos de estudantes e professores. Nos últimos anos, temos realizado uma Feira de Conhecimentos, onde são apresentados os resultados dos trabalhos realizados durante todo o ano. Da mesma forma, dentro das salas, procura-se oportunizar a participação dos alunos. Um dos exemplos recentes em nossa escola foi a realização da etapa local do EPA, quando os alunos puderam apreciar os resultados dos vários grupos dentro da própriasala e cujo resultado será levado logo a todas as outras com uma exposição dos trabalhos no pátio da escola.
    
    Dentro das possibilidades, alguns alunos contribuem da melhor forma possível, ficando no prejuízo os da zona rural que muitas vezes vivem à mercê da vontade dos motoristas de ônibus que, por conta própria, definem os feriados, os horários de chegar e sair da escola, etc. Nos eventos em que poderia ocorrer uma socialização mais abrangente, esses alunos dificilmente conseguem acompanhar tudo, pois, já não participam totalmente da preparação e, quando chega o momento das culminâncias, têm que retornar mais cedo para suas casas. Salvo essa situação, tivemos uma grande demonstração de trabalho coletivo na confecção dos tapetes no feriado do Corpus Christi. A principal motivação ainda é o ponto concedido, lamentavelmente. É claro que tem um grande número de humanos normais no meio, que primam pela participação sem qualquer tipo de barganha.

    A utilização de tecnologias digitais, de minha parte, não tem ocorrido com frequência por vários motivos. A escola não dispõe de espaço adequado para isso. Os poucos que possui são mais utilizados pelas turmas do Proemi. Esse é um dos pontos críticos na estrutura das escolas atualmente. Os espaços são improvisados na maioria das vezes e, quando pensados ou existentes, não atendem a maioria dos estudantes. Imaginem o que se consegue fazer com duas televisões, dois projetores e duas salas improvisadas em uma escola com 22 turmas e mais algumas do Proemi? Haja boa vontade!

    Numa escala de 1 a 10 no que se refere ao grau de colaboração nas turmas, vou ficar com a preocupação da OMS e de alguns psicanalistas que dizem que somente 5% da humanidade são pessoas lúcidas, ou seja, aquelas que conseguem ver a si mesmos e aos outros como integrantes de uma mesma espécie, de um mesmo mundo, aquelas que pensam no outro. Isso conrresponderia a 0,5 nessa escala. Acho que está de bom tamanho. O que posso fazer para modificar essa realidade? Estou tentando voltar a ser um professor, ao invés de bancar o Promotor de Eventos, o TéchTudo, o Clown, o Advogado, o Psicólogo, o Animador de Auditório... Vez em quando me dá saudade de quando eu conseguia ser professor, de preocupar com a letra do aluno, se estava escrevendo na linha, se estava fezendo os parágrafos, se o aluno tinha tomado café, se já havia merendado, por que não conseguiu vir com o uniforme completo, se a família dele estava bem...

    Venho tentando entrar na sala como um dos nós, como um pai, como um filho, como um professor, como um humano. Sem fantasias, sem livros, sem nada, até mesmo sem planos, quem sabe. Afinal, quem sou eu pra saber o que cada uma daquelas cabeças sonhou noite passada? Quem sou eu pra saber quantos tomaram café antes de sair? Quantos estão com um parente doente dentro de casa? Quantos já viram sua mãe ser agredida pelo companheiro ou mesmo já foi agredido pelo pai ou irmão? Quantos acharão o almoço ou a janta ao retornar? Quantos terão o dinheiro pra pagar a conta de energia no final do mês? Quantos estão vivendo desilusões amorosas ou familiares? Quantos vivem sendo assados dentro dos fornos das cerâmicas? Quantos não estão entre os 3,2 milhões de jovens entre 5 e 17 anos que já estão na ativa, sendo explorados pelos senhores de engenho, aliás, senhores da política?

    Então, pensadores, pensem uma escola colaborativa também. Pensem uma escola em que o professor tenha a quem encaminhar os seus pupilos ou ao menos chorar suas mágoas. Pensem coletivo, pensem grupo, pensem humano. Tragam psicólogos, técnicos, coordenadores, comida, frigobar para as salas, traga climatizadores para o sertão, traga grupos de pessoas para darem assistência às famílias, e, se possível, humanos. Pode ser?

    Depois de ler um texto de Jurandir Freire, tive que repensar muitas coisas e hoje tento chegar na escola apenas com um dos tantos "nós". Reparou quantos "nós" existem dentro da espécie humana? Se o professor fala nós, ele está se referindo só ao "nós, professores"; se o político fala nós, não está falando dos seus eleitores, tampouco daquele garotinho que está passando fome lá nas montanhas da Síria, fugindo da persequição dos grupos radicais... Quando o diretor fala "eu", quando as autoridades falam "nós", quando os jogadores de futebol falam "nós"... nós... nós... Já pararam pra pensar o quanto estamos sendo colaborativos? Já pararam pra pensar que acabamos fatiando o mundo, nossa própria espécie em um monte de "nós"? Percebeu que parecemos várias espécies dentro de uma só, que temos vários mundos dentro de um só?

    Oi, Jurandir*, permita-me colar aqui um trecho do seu texto, amigo, pra que este mundo se junte num só NÓS e que a educação deixe essa alegoria exarcebada de lado.
    "Eis uma das chaves da saída: um só mundo, um só povo. Com essa simples consciência, esses brasileirinhos decentes e encantadores mostram que possuem o senso de pertencimento a uma mesma comunidade de tradições, e, portanto, são capazes de reconhecer o direito dos demais ao mesmo respeito e oportunidade que lhes foram dados. No mundo deles - se permitirmos - mortes de inocentes como João Hélio serão lembradas, apenas, como dias de sombras que antecedem os dias de luz. No mundo deles - se permitirmos - a referência do pronome “nós”, na sensível expressão de Rorty, será estendida a todos os brasileiros e a todos aqueles que elegerem nosso país como um bom lugar para se viver. Sonho de bobo alegre, dirão os cínicos. Talvez. Mas - plagiando a rústica Macabéia de Clarice Lispector -, sem esse sonho, viver serve pra quê?"

    Vejam também com atenção estas palavras que provavelmente sairão numa das faixas do próximo disco de Arnaldo Antunes que começará a ser gravado numas dessas segundas-feiras quaisquer.

Eles não pegam em armas
Só em canetas e papéis
Mas, às vezes, matam mais com suas leis
Do que os atiradores cruéis.    

* - Psicanalista, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ. É autor de Sem fraude nem favor - Estudos sobre o romantismo amoroso e O vestígio e a aura - corpo e consumismo na moral do espetáculo.

SOBRE AS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃOpensecomigo

(Texto postado num fórum de um curso sobre Novas Tecnologias Educacionais)

Estamos falando de revolução tecnológica? E de que essa vem ajudar na melhoria da educação, bem como subsidiar o trabalho do professor e da escola? E também modernizar o setor? E diminuir os gastos? E facilitar a comunicação e a colaboração dentro da comunidade?
Oba, legal! Então vamos lá! Quão boas intenções têm para conosco! Faz-me lembrar de um tempo atrás quando trabalhei num banco e ficávamos até altas horas da noite para descobrir uma diferença num caixa, de centavos, às vezes. O manuseio da papelada, a máquina de imprimir cheques, muito parecida com os carimbos e os mimeógrafos que perduraram na escola até recentemente. A máquina do caíxa tocada a manivela, as autenticações... Que barulho interessante! Interessante é hoje, quando chegamos diante dos caixas eletrônicos, movidos a pensamento. Faltam nos dar um abraço! Nos fazem perguntas, querem saber quem é nosso pai, onde nascemos, quais os primeiros números do nosso CPF... Será que para se chegar a esse estágio foi feito algum investimento? Será que estar com um cartão magnético rodando o mundo e acessando uma conta aberta na agễncia de Oliveira dos Brejinhos, sertão nordestino, mesmo estando em Tóquio é moderno? E ver a própria agência se fechar e trancar as portas e apagar as luzes, parecendo uma coisa viva, é modernidade?
Lembra-me uma notícia que circulou em 2013, quando o Banco do Brasil e a CEF inauguraram um data center de R$ 322.000.000,00, o qual foi pensado para atender a expansão dos dois bancos pelos próximos 15 anos. Ah, desculpe, estou escrevendo no post errado, como costumamos dizer aí pelos fóruns na internet?
Mas, será que não podemos utilizar os exemplos dos bancos, dos cartórios, do INSS, dos radares instalados nas estradas, para nos inspirar mudanças na educação? Será que não é tempo de perceber que precisamos deixar de enrolação, de conversa fiada, e pensarmos uma educação realmente voltada para as novas tecnologias? Ou estamos achando que utlizar sucata dentro das escolas, utilizando data centers a anos-luz de distância, utilizando sistemas gratuitos como os do Google, da Microsoft, do Yahoo...? Citamos uma, duas, três vezes ferramentas mil, ficamos com água na boca, querendo testar as tais, tentamos visualizar e utilizar os tais objetos educacionais, mas, a memória do tablet educacional não dá conta, o PC da sala 11 só é para os alunos do Proemi, a TV de 42 polegadas não pode ficar ligada muito tempo, a internet de 512 kbps não roda nem um MP3 em tempo real, que dirá aplicativos desenvolvidos em flash ou Java? As páginas trazem milhares de banners com propagandas, escolhendo até sugestoes como: veja estas páginas recomendadas para você! Nossa! Parece que nos conhecem!
Sabe quando alguma coisa nova pode realmente dar certo dentro dos espaços escolares? Quando realmente decidirmos se a escola é para ser moderna ou antiga, quando aprendermos a cumprir os prazos, quando tivermos condições de realizar projetos em tempo real, online com outras escolas, desenvolvendo trabalhos conjuntos, quando as escolas não tiverem mais muros, quando as salas de informática estiverem abertas o tempo todo, quando houver espaços alternativos e profissionais capacitados para refazer um cabo de rede quando este der defeito, quando um chamado à prestadora de telefonia for atendido como se atendem aos bancos e aos cartórios eleitorais, quando pararmos de utlizar aplicativos por empréstimo e tivermos profissionais dentro da educação capazes e empolgados para desenvolverem softwares, sozinhos ou em conjunto, mas que sejam produtos da educação, quando os espaços alternativos puderem ser administrados por esses profissionais, treinados e bem pagos. Quando a impressora quebrada puder ser reaproveitada porque dentro da escola existe um laboratório voltado para isso, com objetivo de atender a demanda das próprias escolas e da comunidade em geral, quando pudermos fazer a chamada na sala de aula diretamente no SGE, quando os alunos puderem acompanhar em tempo real experiências realizadas em outras escolas, ou seja, em sua escola, porque, neste caso, a escola seria uma só. Mas, o que vemos é uma escola fatiada. Até entre os turnos existem diferenças. Imaginem entre as unidades escolares, os municípios, os estados...?
Pense na animação que fiquei quando ouvi falar ano passado sobre o interesse do estado em melhorar a conexão no interior! Falou-se até da expansão das redes de fibra ótica! Pensei: Eh, rapaz, agora vai! E quando vi chegar uma montoeira de equipamento, dizem que em torno de R$ 30.ITANTOS,00 (Trinta e tantos mil reais), prevendo a instalação de N roteadores, de servidores super-rápidos, de uma ligação direta com os conteúdos educacionais da secretaria, Deus, que alegria! A conclusão era prevista para outubro do ano passado. Que conclusão? Pelo menos para nós, a conclusão de que não valeria mais a pena! Afinal, era para a educação, não era para bancos, nem para a Receita.
A pergunta desconfortável lá na cabeceira deste fórum sobre uma forma de utilizar bem o WhatsApp tem que ser respondida por quem? Quem está ouvindo a voz deste homem? Se ele está angustiado, não sei! Mas, certamente, já deve ter ficado de costas para alguma turma e quando se vira avista uma jovem utilizando a tela do celular, com película de vidro, servindo de espelho para o uso do batom, do blush... Dificilmente para realizar uma entrevista com um morador de rua, ou com um profissional liberal da comunidade, ou com um vereador, ou com um ambientalista, e pedindo permissão a esse mesmo professor para mostrar o resultado à turma. Amigo, essas ferramentas não foram pensadas para a educação. Ou achamos que Brian Acton e Jan Koum pensaram nos estudantes do nordete seco quando inventaram essa coisa? Ou achamos que o Facebook pagou R$ 45.000.000.000,00 pelo controle dessa "empresa", mais cara do que muitas famosas e de "carne e osso" mundo a fora, pensando nos nossos projetos? É lamentável, amigos, mas não foi por isso!
Enquanto os negócios movimentam o mundo, nós continuamos batendo cabeça dentro das escolas, tentando reprogramar as mentes infectadas por essas pragas virtuais, verdadeiros malwares, poderosos a ponto de adormecer a inteligência de muitos dos nossos brilhantes alunos. E querem que nós arrumemos um jeito de utilizar esses negócios para o bem? E porque não ligam nossos aparelhos que chegaram ano passado e estão tomando poeira nos depósitos? E por que não nos dão um Galaxy S6 no lugar do "tablet amarelinho"? Oxe, e quem tá doido de dar Dois Mil Réis num trem desse pra ser usado na educação? Desperdício! E porque não um lousa digital de 80" de uns R$ 5.000,00 no lugar daquela de R$ 500,00, que você faz um traço agora se quiser que ele apareça na tela amanhã? E porque não a chamada, os registros de notas e faltas em tempo real? Por que não um equipamento digital para registro de presença na entrada das salas? Será que os professores iriam mais perder tempo contando cabeças, rabiscando pontinhos, EFEs e similares? Por que não um kit de TV 60", mais um aparelho de DVD com saída HDMI e leitor de Bluray, e um macbook sobre a mesa do professor? E um roteador por sala, com uma frequência 5.8 GHz? E os nossos laboratórios de Ciências? E nossas bibliotecas, aliás, tecnotecas? (Que tal o nome?) E nossas oficinas reais, para experiências reais, com ferramentas reais? Onde estão? Daqui a pouco, os capitalistas podem estar se perguntando: Será que o homem é viável? Sobre a educação já devem estar se perguntando. Afinal, será que estamos provocando a queda da bolsa? Ou estamos conseguindo conscientizar politicamente nossos jovens para saberem votar e questionarem como nós estamos nos questionando aqui?
Quando conseguirmos respostas imediatas para perguntas como essas que estamos fazendo aqui, nossa educação com certeza estará melhor.
E o WhatsApp dentro da escola, amigo, acho que vai ter que esperar um pouco mais. Afinal, o bicho veio detonando tudo, trazendo de volta os mais profundos instintos humanos, provocando o narcisismo exagerado, a pornografia, o sadismo, a perversão, o canibalismo... O que compartilhamos? Um bom dia, juntamente com um cara assassinado com 30 tiros, uma jovem estuprada no bairro Nãovemnão, um assalto à agência do Banco Queromais, o mundo... Menos o mundo da educação, da canção, da poesia, do respeito, da alegria, das Joanas e das Marias... Do Deus que nos criou! Compartilhamos a pressa, a anestesia das fotos escrotas, poucas rosas, muitas dores. Faltam em sala de aula fotograrem nossas mentes angustiadas e postarem em suas redes mórbidas. Cultivam plantas e fazendas virtuais, criam animais inexistentes, dão banho, comida e carinho, enviam fotos a alguém da Arábia que se diz dono de um poço de petróleo... É o homem, amigo, de volta à idade da inocência, enquanto os que conseguiram evoluir sugam nosso sangue e entorpecem aqueles que poderiam servir de testemunhas do nosso fracasso, com suas dádivas malditas. Está pronto pra resolver isso? Então, mãos à obra!

E a educação? Findou-se.

 


Uma sugestão para os "pensadores" da Educação com intermediação tecnológica, da qual eu discordo toralmente, pois para mim a educação se dá
através das relações humanas, sem qualquer obstáculo ente os dois lados: que tal mudar EMITEC (Ensino Médio com Intermediação Tecnológica) para EMTEIHU - Ensino Médio Tecnológico com Intermediação Humana? Talvez soe melhor e dê melhores resultados também. Se quiserem, podem pronunciar EEMETEIÚ. Ao menos, fariam menção a um réptil da América do Sul, teiú, agregando mais significado à sigla.

 

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